Rodrigo discute o grande volume de publicações e a preocupação com o ensino médio nos anos 2000, culminando na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Ele detalha a estrutura da BNCC nas áreas de linguagem, as habilidades e competências exigidas, e a importância de uma leitura crítica do documento, com um viés liberal, exigindo resistência e cuidado.
Rodrigo conclui ressaltando como o Profletras mobiliza todas essas questões através de suas disciplinas, enfocando a interdisciplinaridade e a necessidade de um movimento de resistência e cuidado mútuo, especialmente no contexto da pandemia.
Ana Clélia (UFRJ) discute o lugar político-pedagógico da literatura no Profletras. Ela aborda a histórica dificuldade da literatura em adentrar a escola, a recusa da área em se relacionar com a escolarização e a formação de professores, e o equívoco inicial de não focar em docentes do ensino médio, abrindo um espaço necessário para a literatura no ensino fundamental.
Ana Clélia aborda a desidentificação de professores do ensino fundamental como docentes de literatura, ilustrada por relatos em autobiografias de leitores. Ela destaca a ausência de discussões teóricas nos documentos oficiais e a crença de que a literatura é 'perfumaria' ou 'luxo', resultando em lacunas na formação de leitores.
A professora ressalta que o problema não é a presença do texto literário na escola, mas a falta de mediação especializada e aprofundada via literatura, e não apenas por conhecimentos linguísticos. Ela critica a falta de preparação dos professores para essa didática e a ausência de uma crítica literária que aborde a produção contemporânea, especialmente a literatura infantil e juvenil.
Ana Clélia explora a relação entre a camada social e o acesso à docência, e como isso impacta a leitura. A literatura, vista como item de luxo, perpetua a desigualdade. Ela enfatiza a importância crucial da literatura no Profletras para a formação de alunos e professores, combatendo a ideia de que a literatura é apenas para alguns.
A discussão prossegue sobre a evolução da pesquisa em literatura no Profletras. Inicialmente, as dissertações estavam muito atreladas ao repertório linguístico e a metodologias reprodutivas. O segundo momento trouxe uma mudança, com a formação do GT Literatura e Ensino da ANPOLL e a busca por bibliografia que refletisse a realidade brasileira e latino-americana.
Ana Clélia defende que a literatura não fornece respostas, mas sim habilita a fazer novas perguntas e a pensar criticamente. Ela cita Antônio Cândido para argumentar que a literatura não ensina segundo os moldes da pedagogia tradicional, mas sim desafia e provoca reflexão, sendo um instrumento de politização e emancipação.
Ana Clélia aborda a inseparabilidade entre ensino de língua e literatura, destacando sua própria trajetória e como a literatura foi essencial para a formação de seu pensamento crítico. Ela defende que a crítica literária precisa ser cada vez mais interdisciplinar para abordar a diversidade de produções e a responsabilidade da universidade na formação de professores.
A sessão se encerra com Luciane lendo uma emocionante homenagem de Tiago ao seu avô, Alfredo Bosi, destacando sua paixão pela literatura, o humanismo e a militância. A homenagem ressalta a importância da literatura como modo de ver o mundo e as diferentes realidades, e a responsabilidade do Profletras em continuar esse legado.
A coordenadora nacional do Profletras, Professora Penha, faz a abertura oficial do programa, enfatizando a importância do espaço acadêmico e da união em um período caótico. Ela lê um texto de Cora Coralina sobre transformar a casa em um lugar criativo e de amor, e destaca a importância do autocuidado e do cuidado com o próximo.
A Professora Penha ressalta a alegria de retomar as atividades do Profletras com a turma sete e a importância da rede, que é a segunda maior em formação de professores no Brasil. Ela enfatiza a colaboração entre as unidades e o impacto social do programa, que rompe barreiras entre a universidade e a escola, promovendo uma troca rica entre pesquisadores e professores da educação básica.
Apresentando o Profletras como um programa de resistência e esperança, mesmo no formato remoto. A Professora Penha agradece à unidade da UNESP e aos convidados, Rodrigo e Ana Clélia, destacando a parceria e a responsabilidade de pensar os estudos linguísticos e literários na educação.
Rodrigo (UFF) inicia sua apresentação sobre a história do ensino de língua portuguesa no Brasil, focando nos últimos 40 anos. Ele aborda a crítica ao ensino tradicional da gramática nos anos 80, a ascensão da teoria da comunicação e a publicação de 'Texto na Sala de Aula' como marco inicial de uma crítica consolidada.
Rodrigo continua a abordar a evolução do ensino de língua portuguesa, citando 'Portos de Passagem' e 'Linguagem, Ensino, Exercícios de Militância e Divulgação' de Geraldi, que ampliam as propostas iniciais e introduzem a perspectiva sócio-histórica. Ele destaca a importância da leitura, produção de textos e análise linguística.
A seção explora como os PCN (1997-1998) retomam as ideias de Geraldi, apresentando o trabalho com a linguagem em dois eixos: uso e reflexão. Gêneros do discurso e textuais são introduzidos como objetos de ensino, e diversas abordagens teóricas passam a circular no Brasil, com destaque para a abordagem interacionista sociodiscursiva.