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Jean Gaspar inicia o programa Filosofia no Cotidiano, apresentando o convidado Rubem Alves, que inicialmente achava a filosofia chata e abstrata, mas com o tempo, aprendeu a vê-la como um "brinquedo" para brincar com ideias, que trazem iluminação, humor e risos.
Rubem Alves fala sobre sua aversão a gramáticos que ditam regras sobre palavras e como ele distingue 'estória' (com E) de 'história' (com H). Ele usa uma frase de Guimarães Rosa e uma conversa com sua filha de 4 anos, que perguntava se as histórias que ele contava eram 'de verdade', para explicar a diferença.
Alves relata a profunda pergunta filosófica de sua filha de 4 anos: 'Papai, as coisas não se cansam de ser coisas?'. Ele conecta isso ao sentimento de Fernando Pessoa sobre as estrelas e explica que as 'histórias' (com H) são eventos únicos e passados, enquanto as 'estórias' (com E) são eternas, pois, mesmo nunca tendo acontecido, elas 'acontecem' sempre que são lidas ou contadas, permitindo múltiplas interpretações.
Rubem Alves compara a 'história' a um cemitério do passado, enquanto a 'estória' é um campo de ressurreição, onde mitos como Romeu e Julieta permanecem vivos e provocam emoções. Ele cita o Evangelho de João ('o verbo se fez carne') para afirmar que somos 'estórias encarnadas', e que a psicanálise busca desvendar essas histórias esquecidas em nós, remontando os 'cacos' da memória em um mosaico.
Em sua auto-qualificação como 'mineiro e contador de causos', Rubem Alves explica que causos são como pássaros: só aparecem quando você está distraído. Ele os anota para não perdê-los e começa a contar um causo pessoal sobre uma experiência nos Estados Unidos e uma estudante que o fez refletir sobre a natureza do erotismo e da imaginação, descrevendo seu vestido e a forma como ela o provocava.