Summary
Highlights
Ignacio Irarrázaval, diretor da Pesquisa Bicentenário da Universidade Católica, destaca três grandes mudanças no Chile nos últimos 20 anos: o fenômeno migratório, transformações familiares e a religiosidade. Apesar da preocupação com a migração, os conflitos diários são baixos, indicando uma ambivalência entre o temor geral e a experiência individual.
A pesquisa revela que o principal conflito no Chile é político, entre esquerda e direita, o que gera cansaço na população e afeta a confiança nas instituições. A falta de capacidade técnica e de probidade dos políticos contribui para essa desconfiança.
Apesar do cenário político pessimista, há um otimismo em relação ao futuro do país, que não era visto há 15 anos. A aspiração por igualdade é transversal, superando o desejo de crescimento econômico e até mesmo as divisões políticas. No entanto, os programas presidenciais atuais pecam pelo curto prazo e pela falta de uma visão abrangente sobre questões como a queda da natalidade e o envelhecimento da população.
Irarrázaval critica a superficialidade dos debates sobre segurança, migração e emprego nas eleições, destacando a necessidade de políticas públicas sérias e duradouras, em vez de "efetismo" e "voluntarismo". A polarização política, observada nas elites, contrasta com o desejo da população por acordos e diálogo que levem a soluções concretas.
A pesquisa também aborda o aumento da solidão, especialmente entre os jovens, apesar da hiperconectividade. Em contraste com a baixa confiança em outras instituições, as universidades se destacam como instituições de alta confiança, o que lhes confere uma grande responsabilidade em contribuir para o país e demonstrar o valor de seu trabalho.
O caso convênios prejudicou gravemente a confiança nas fundações, que desempenham um papel crucial na execução de políticas públicas no Chile. A burocracia excessiva e a desconfiança têm ameaçado a sobrevivência de muitas organizações, afetando diretamente as pessoas que dependem de seus serviços.
Carlos Peña, reitor e autor, defende a importância das humanidades em um mundo cada vez mais técnico. As humanidades são essenciais para buscar sentido e significado além dos fatos, oferecendo orientação ética e contextual, em vez de se limitar à mera manipulação da causalidade natural.
Peña critica o debate político chileno, que parece estimular emoções como medo e raiva em vez de promover a racionalidade. Ele argumenta que uma política democrática forte exige que os líderes conduzam e orientem as emoções, resistindo à tentação de simplesmente segui-las ou exacerbá-las.
A democracia liberal está ameaçada quando as emoções dominam a racionalidade. Peña aponta líderes passados como Frey Montalva e Ricardo Lagos como exemplos de políticos que souberam conduzir as emoções da sociedade. Ele expressa preocupação com o surgimento de lideranças "iliberais" no cenário político atual, como José Antonio Kast e Johannes Kaiser, e, por outro lado, com a marginalização de figuras liberais como Carolina Tohá e Evelyn Matthei.
Peña analisa a figura do presidente Gabriel Boric, que vê como um "presidente acidental" mas com valor. Ele acredita que Boric se tornará um líder social-democrata importante. O reitor confia na solidez institucional do Chile para conter tendências iliberais, independentemente dos resultados eleitorais. Ele destaca o papel crucial das universidades, da mídia e do poder judiciário na promoção da racionalidade e na manutenção da vida coletiva civilizada.