Summary
Highlights
Michelle Aziz apresenta-se como pedagoga e especialista em educação pré-escolar, com foco nos primeiros 7 anos de vida das crianças. Ela destaca a importância desse período para o desenvolvimento cerebral e na formação do vínculo familiar, e como direcionou sua prática para auxiliar os pais nesse processo, especialmente no manejo de birras, comportamento e emoções infantis. Michelle também menciona seus livros infantis e de apoio aos pais, como 'Berrinches, herramientas para una crianza emocional'.
Em resposta a uma pergunta de Walter Barbosa, Michelle aborda dois erros comuns na parentalidade atual: a superproteção e a desconexão. Ela explica que o medo de repetir os erros dos pais leva muitos a pendularem para a superproteção, evitando que os filhos experimentem frustrações. O segundo erro é a desconexão, onde, apesar de passarem tempo juntos, os pais não estão verdadeiramente presentes, absorvidos por outras preocupações. Michelle ressalta que os filhos não precisam de pais perfeitos, mas sim de pais 'suficientemente bons'.
Cristina Vázquez pergunta sobre o significado das birras. Michelle explica que as birras são explosões emocionais de crianças que ainda não possuem a capacidade de regulação emocional e desenvolvimento cerebral para lidar com sentimentos intensos. Ela usa a metáfora de dois cérebros (emocional e racional) e explica que, durante as birras, o cérebro racional da criança está 'desligado'. Michelle apresenta os quatro passos para lidar com as birras: 1) o pai/mãe se autorregular, 2) acompanhar a criança e emprestar-lhe calma, definindo limites claros para o comportamento, 3) reconectar-se com a criança (abraçando, consolando), e 4) conversar sobre o ocorrido para ajudar a criança a entender suas emoções e construir ligações entre o sentir e o agir.
Em resposta a Jessica, Michelle discute a evolução dos estilos de criação. Ela contrasta a 'criação condutual' ou 'autoritária' do passado, focada no respeito e obediência, com a 'criação permissiva' e superprotetora atual. Michelle propõe um balanço: a 'criação emocional', que combina os limites e a estrutura da parentalidade tradicional com o carinho, a empatia e o reconhecimento da criança como um indivíduo, características da abordagem mais moderna. Ela encoraja os pais a fazerem ajustes em seu estilo de criação a qualquer momento.
Raquel Luis Hernández pergunta se os filhos estão tomando decisões além do que deveriam. Michelle concorda, explicando que a parentalidade permissiva atual muitas vezes coloca os filhos no mesmo nível ou acima dos pais, o que é prejudicial. Ela enfatiza a importância da hierarquia familiar, onde os pais são figuras fortes e sábias. Embora seja importante permitir que as crianças tomem algumas decisões (como escolher entre duas frutas), as decisões importantes relacionadas à segurança e ao bem-estar devem ser dos adultos. Ela reitera que os limites podem causar birras, mas cedê-los enfraquece a autoridade dos pais.
Ivón pergunta sobre o impacto do bem-estar dos pais nos filhos. Michelle afirma que os pais são a 'ferramenta principal' na criação. Usando a analogia da máscara de oxigênio no avião, ela explica que os pais precisam cuidar de si mesmos primeiro (saúde, descanso, hobbies) para estarem bem para os filhos. Ela destaca que as crianças são 'especialistas' em ler o estado emocional dos pais e que o nervosismo ou estresse dos adultos se reflete no comportamento dos filhos, criando um ciclo vicioso. Cuidar-se não é egoísmo, é uma necessidade para uma criação saudável.
Verónica pergunta como fortalecer o vínculo com a filha. Michelle apresenta o 'Roberto o Robô' e a metáfora da 'bateria emocional'. As crianças nascem com a bateria vazia e precisam que os pais a recarreguem constantemente. A bateria se esgota por mal-estar físico, emocional (frustração, raiva, ciúmes) ou separação física dos pais. Michelle oferece três dicas práticas para recarregar a bateria: antes de cada separação, no reencontro, e antes de pedir a cooperação da criança. Ela enfatiza que a maioria dos maus comportamentos infantis é um pedido por conexão.
Estrella Romero pergunta sobre a diferença entre filhos, mesmo gêmeos. Michelle explica que cada criança nasce com um 'temperamento' (características inatas) e desenvolve um 'caráter' através das experiências, formando sua personalidade única. Ela desencoraja a comparação entre filhos, pois isso tira a oportunidade de eles desenvolverem-se em seu próprio ritmo. Michelle aconselha os pais a observar e confiar em seu instinto quando algo não parece certo, buscando ajuda profissional se necessário, e a aceitar e amar o 'filho real' em vez de comparar com um 'filho ideal'.
Jennifer pergunta como preparar os filhos para as mudanças. Michelle afirma que as mudanças são constantes na infância. Ela ressalta a importância de os pais serem o 'farol' de segurança para os filhos. Uma atitude calma, antecipação e preparação dos pais ajudam as crianças a lidar melhor com as transições. O papel dos pais não é evitar a frustração, mas atuar como 'amortecedores', dando aos filhos as ferramentas para enfrentar as dificuldades da vida. Antecipar possíveis reações infantis (como birras ou problemas de sono) durante períodos de mudança ajuda os pais a estarem mais preparados.
Lucero Valencia pergunta por que alguns pais são muito exigentes. Michelle explica que, como o cérebro se forma nos primeiros 7 anos de vida, tendemos a criar como fomos criados, reproduzindo padrões e feridas. Ela incentiva os pais a se tornarem conscientes de sua própria história e a conversarem com seus parceiros para definir um estilo de criação conjunto e intencional. O objetivo é traumatizar os filhos 'o menos possível', com consciência para não repetir cegamente padrões negativos. Ela também discute o papel dos avós na criação moderna e a importância de informá-los e alinhar expectativas.
Marta Olguín pergunta se a geração atual está criando filhos em uma 'bolha de cristal'. Michelle concorda que a superproteção gera crianças sem ferramentas para a vida, vendo pequenos obstáculos como grandes desafios. Ela usa a metáfora de uma estrada com pedras: o papel dos pais não é aplainar o caminho, mas sim dar aos filhos uma 'mochila de ferramentas' para pular, contornar ou mover as pedras. Ela enfatiza a importância de dar independência, autonomia, limites e estrutura para que os filhos possam enfrentar o mundo. Também discute a importância de permitir a expressão de emoções desagradáveis.
Lucía Resendis, com filhos adolescentes, pergunta como recuperar a conexão. Michelle compara a adolescência a uma 'segunda primeira infância', onde é possível consertar muitas coisas. Ela lembra que, por trás da rebeldia adolescente (portas batendo, 'eu te odeio'), há um pedido de atenção e necessidade. A casa deve ser um espaço seguro onde o adolescente pode 'despir a armadura' que usa no mundo exterior. Para reconectar, Michelle sugere que os pais se interessem pelos hobbies e mundo do adolescente, entrando no 'mundo deles', assim como fariam com uma criança pequena. O adolescente precisa ver os pais como um espaço seguro e de apoio.
Israel expressa o desejo de que seus filhos não sofram o que ele sofreu. Michelle valida esse sentimento, mas alerta que evitar todo sofrimento leva à superproteção, que é, na verdade, desproteção. Ela enfatiza que o trauma não é o evento em si, mas como os pais lidaram e contiveram a criança em face dele. Os pais devem permitir que os filhos experimentem pequenas frustrações e dificuldades, mas estar lá como um 'refúgio seguro' para contê-los, apoiá-los e ajudá-los a processar as emoções. Michelle conclui com a frase: 'Ama-me quando menos mereço, porque será quando mais te preciso', ressaltando que o mau comportamento muitas vezes é um sinal de necessidade de conexão.