Summary
Highlights
O vídeo começa com a apresentação da 'Ética a Nicômaco' de Aristóteles, com tradução de Leonel Vallandro. É destacado que toda arte, investigação e escolha visam a um bem, e o bem é aquilo que todas as coisas almejam. Os fins das ações variam, mas há um sumo bem que é desejado por si mesmo e não em função de outro. Este sumo bem é identificado como a felicidade. A política é a ciência mestra que busca esse fim, visando o bem do Estado e do indivíduo.
Aristóteles explora as diferentes concepções de felicidade. O vulgo a associa ao prazer, riqueza ou honras, enquanto os sábios a veem de forma mais profunda. Alguns pensam em um bem autossuficiente que é a causa da bondade de todos os demais. É crucial a distinção entre conhecer os primeiros princípios e direcionar-se a eles. A discussão enfatiza que a felicidade não é superficial e não pode ser facilmente arrebatada, sendo mais excelente a virtude do que a honra.
Para compreender a felicidade, é necessário determinar a função do homem. Assim como flautistas e escultores têm uma função, o homem também a tem, que é a atividade da alma que segue um princípio racional. A função de um bom homem é a boa e nobre realização dessas atividades, em consonância com a virtude. A felicidade é, portanto, uma atividade da alma em conformidade com a virtude mais completa, numa vida completa. A precisão na investigação deve ser proporcional à natureza do assunto.
Os bens são divididos em exteriores, da alma e do corpo. Os bens da alma, como ações e atividades virtuosas, são considerados os mais importantes para a felicidade. A concepção de felicidade como boa vida e boa ação alinha-se com a identificação da felicidade com a virtude. A atividade virtuosa é sempre ativa e aprazível por si mesma. A felicidade, embora dependendo principalmente da virtude, também necessita de bens exteriores (amigos, riqueza, poder político) para a realização de atos nobres. A questão sobre se a felicidade é adquirida ou divina é levantada, e é argumentado que ela é resultado da virtude e do estudo diligente, sendo algo divino e abençoado.
Aristóteles discute a ideia de que ninguém deve ser considerado feliz enquanto viver, citando a necessidade de ver o 'fim'. A felicidade é uma atividade virtuosa da alma, e alguns bens são condições prévias, enquanto outros são úteis como instrumentos. Animais e crianças não podem ser felizes por não participarem de atividades virtuosas completas. A vida é cheia de mudanças, e grandes infortúnios podem abalar a felicidade, mas o homem nobre aceita-os com dignidade. A felicidade é algo permanente e não muda facilmente, sendo resultado de atividades virtuosas duráveis. A boa ou má fortuna dos amigos e descendentes tem efeito limitado na felicidade dos mortos.
É levantada a questão se a felicidade é elogiável ou estimada. As coisas louváveis são elogiadas por serem de certa espécie ou por se relacionarem com algo bom. A felicidade, no entanto, é algo melhor do que o louvor; é chamada de bem-aventurada, sendo mais divina. Eudoxo estava certo ao sustentar a preeminência do prazer, pois coisas como Deus e o bem não são louvadas, mas estimadas como padrões. O louvor é para a virtude, que leva a ações nobres. A felicidade pertence ao número das coisas estimadas e perfeitas, sendo um primeiro princípio em vista do qual tudo é feito.
A felicidade, sendo uma atividade da alma conforme a virtude perfeita, exige a compreensão da natureza da virtude. O político deve estudar a virtude humana, que não é do corpo, mas da alma. A alma tem uma parte racional e outra irracional. A parte irracional se subdivide em vegetativa (nutrição e crescimento), que não participa da excelência humana, e a desiderativa (apetite), que, embora irracional, pode participar da razão ao obedecer-lhe. A virtude, portanto, divide-se em intelectual (sabedoria filosófica) e moral (liberalidade, temperança), refletindo as partes de dupla natureza da alma.